sábado, 7 de novembro de 2009

Devir

soul
Num instante é brisa, no outro: EVENTO!


por Sérgio Araújo

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Lapso



Não conhecia nenhuma daquelas pessoas que transitavam freneticamente pela ladeira íngreme e estreita. O fluxo constante deixava-o atordoado e aumentava a sensação de abandono que havia surgido desde que se dera conta da situação em que se encontrava.
Foi como se tivesse surgido do nada. Encostado no velho poste de ferro reparou na marca de fabricação gravada no metal:Düsseldorf -Deutschland.
Aquelas palavras não saiam da sua cabeça e ficou repetindo: Düsseldorf, Deutschland, Düsseldorf...,enquanto caminhava em meio àquela gente calada e, aparentemente, insensível.
Subiu alguns metros, desceu outros tantos... Na verdade, não sabia para onde estava indo nem tampouco aonde se dirigir naquele lugar estranho.
Não estava em outro país! Embora estivesse com medo de falar com as pessoas, de perguntar-lhes onde estava,sentia familiaridade nos cheiros, sons e texturas que impregnavam os sentidos.
Não era medo, de repente soube, o que lhe impedia de comunicar-se. Era antes, uma certeza absoluta sobre a impossibilidade de comunicação com aquela gente fria e distante. Por um momento, orgulhou-se disso. Sorriu com o canto da boca para não deixar que percebessem o prazer que sentia.
Düsseldorf - Deutschland! Voltou  ao velho poste que suportava uma pequena lâmpada suspensa na extremidade oscilante de cano escuro que surgia do corpo negro do poste fabricado em Düsseldorf,Deutschland.
Parado ali, não se importava mais com aquela gente. O sistema voltou a funcionar normalmente. Digitou as coordenadas e desapareceu.

por Sérgio Araújo

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Silenciosamente

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Como slides sem as cores vivas do presente,

Eu os vejo, rostos que nunca envelhecem.

Sensações perdidas, sorrisos francos.

Sombras na memória, deslizam velozmente

E me aquecem

Suavizando meu pranto.

Preciso de tudo isso, mas por enquanto,

Vê se me esquece!

Perdido e inconsequente,

Vou aos trancos e barrancos,

Revivendo as cores que esmaecem

Silenciosamente.

 

por Sérgio Araújo

sábado, 24 de outubro de 2009

Inventando a esperança



Ontem sonhei com uma criança
Que na sua dança
Inventava a juventude.
Sonhei com a terra que, amiúde,
Era toda a gente do mundo.
O mar não era profundo
E o céu era o teto da casa
Pingando estrelas esparsas.
Sonhei contigo
A procura de um abrigo
Sonolenta na relva fresca.
Sonhei que ontem era amanhã
Que toada doença era sã.
Sonhei que era criança
Inventando a esperança.


por Sérgio Araújo

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Paisagem



Tarde quente de outubro:
Silenciosa,
Ácida.
Sem sombras na rua deserta e abrasiva.
Acolá,
O azul marinho pinta o horizonte
E revela uma poesia de bossa nova.
O vento liberta um pássaro veloz,
Ascendente
Que respinga gotas sutís
No meu rosto
Quente como a tarde.

por Sérgio Araújo

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Girassóis



Bebeu cada gota de horizonte como se fosse luz nos lábios dos girassóis!

por Sérgio Araújo

domingo, 11 de outubro de 2009

Sem lei e sem ordem



Não seria nenhum pesadelo
Perdido, sem lei,
Sem ordem,
Só com minhas lembranças
E pretensões.
Andando no meu caminho,
Ou Parado
De frente para mim.
Assim...
Com coração e mente.
Apenas um,
Que, de tão contente,
Bastasse o vento.
Sem tempo
Sem.


por Sérgio Araújo 
Foto Vladimir Dranitsin